Tantas Anas, Marias. O toque feminino de Ana, a
coragem de Maria. A sensibilidade e os traços
fortes. Ana Maria. Seu sorriso é largo, grande. Seus
olhos atentos. Suas mãos não escondem o tempo, o
trabalho. Mãos grandes e abertas que acolhem todos
como irmãos. "A gente já tá caminhando
para uma verdadeira família". A voz de Ana
é doce. Maria fala firme, sem medo. Sua história é
comum na Cooperativa, mas desconhecida de muita gente
com quem Ana Maria cruza pelas ruas da cidade. "No
início, éramos chamados de mendigos,
lixeiros". O inconformismo: "Não
somos lixeiros não. Trabalhamos com materiais
recicláveis". A esperança: Hoje, o
pessoal já tá mais conscientizado. Eles já
conhecem o nosso trabalho". A história de
uma cozinheira desempregada como a de muitos. A
saída para quem tinha de sustentar a família
separando os restos no lixão de Campo Grande. Seis
meses que Ana não esconde. Ana Maria de Jesus
Cordeiro. Sem marido, quatro filhos, dois netos e um
sorriso estampado nos outdoors de Campo Grande. "Sou
apaixonada pela Coopervida". Nós quatro,
com a câmera na mão: "Ana, a gente quer um
sorriso bonito igual aquele do cartaz". Ela
responde com voz calma: "Mas meninas, aqui
estou sorrindo de verdade".
Luciana Modesto