José Pedro Tavares, 57 anos, casado pela segunda
vez, oito filhos, 19 netos. "Eles são o maior
prazer que tenho na vida". Sua história é
repleta de viagens, de lutas e vitórias, mas como
muitos que vieram do lixão, Tavares conheceu de
perto a realidade do desemprego. "Eu passei
cinco anos lá no lixão com a ilusão de que
conseguiria dinheiro suficiente pra sustentar minha
família".
Sempre com um sorriso debochado no rosto,
"seo" Tavares conta sua vida com orgulho.
Aos 24 anos, deixou sua terra natal, Caruaru em
Pernambuco, sua mulher e três filhos em busca de
trabalho. Caminhou 33 dias até chegar em Feira de
Santana, Bahia. "Sai de lá sem dinheiro e sem
comida, apenas com a esperança de companheira".
De lá, partiu para o Rio de Janeiro onde conseguiu
emprego como sapateiro, sua primeira profissão, e a
oportunidade de buscar sua família. "Consegui
trabalho bom. Cheguei a ser gerente de um posto de
gasolina".
Ao chegar em Campo
Grande, em 75, começou tomando conta de uma
chácara. "Eu nunca tinha visto uma enxada na
minha vida, mas não tive medo e resolvi
trabalhar". Voltou para o Rio de Janeiro com a
ambição de ganhar mais. De volta para Campo Grande,
há sete anos, Tavares teve que encarar de frente o
desemprego mas com a mesma esperança que sempre o
acompanhou.
Hoje, morando com a segunda esposa e dois netos, não
esconde a satisfação de fazer parte da Coopervida.
"A gente não quer ser mais que ninguém aqui. A
gente quer desenvolver o trabalho todos juntos e se a
gente seguir a meta isso aqui vai dar certo, como já
está dando. Eu acredito na Coopervida". E com a
sensibilidade de quem conheceu de perto a vida no
lixão, Tavares espera que a nova cooperativa possa
ajudar muitos de seus companheiros que ainda
permanecem entre os restos que Campo Grande joga
fora. "A gente ainda vai lutar pra ver se traz
eles pra cá, porque a gente sabe que a situação
deles".
Luciana Modesto
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